A Gestão de Riscos à Moda Antiga
As duas imagens mostram o mesmo evento, porém com métodos de comunicação bem diferentes. Uma comunicação eficaz narra uma história...
Olhando para trás, é difícil entender como voar a 250 pés acima de terrenos montanhosos se tornou algo tão rotineiro.
Mas era assim mesmo. Voávamos regularmente e nos considerávamos experientes. O boletim meteorológico indicava uma redução na altitude das nuvens ao longo da rota, além, como sempre, de alguma turbulência em baixa altitude. Já tínhamos planejado e executado esse tipo de trajeto antes, por isso sentíamos que conhecíamos bem os riscos envolvidos.
Voamos baixo pelos vales da Escócia – manter a altitude reduzida e manter contato visual era nosso plano. Sempre foi esse o objetivo. Quando enfrentamos a turbulência, estávamos bem próximos do solo. Rapidamente, uma asa da aeronave caiu, fazendo-nos descer ainda mais. A sensação ao atingir aquela turbulência foi como se um martelo tivesse atingido o avião; também ouvíamos barulhos fortes e inquietantes. A situação piorou rapidamente; embora eu não conseguisse ver os instrumentos de voo, não sentia medo, mas sim excitação – até olhar para o rosto do copiloto. Ele mantinha as mãos e os pés nos controles, mas a aeronave se comportava de maneira completamente diferente e perigosa. Mesmo aplicando todas as manobras corretivas, o avião virava abruptamente quase 90 graus e continuava em descida. Não sei se fechei os olhos ou se xinguei; ambas as reações eram possíveis. Acho que fiquei paralisado.
Finalmente ultrapassamos a crista da montanha. O vale se abriu e o terreno ficou visível abaixo de nós. O silêncio no intercomunicador foi interrompido por um membro da tripulação na cabine de carga. Um deles havia soltado os cintos durante a turbulência e sofreu ferimentos graves. “Qual é a gravidade?”, perguntamos da cabine de comando. “É sério; precisamos levá-lo ao solo imediatamente.” Eles descreveram os ferimentos: lesões na cabeça, nas costas e uma perna completamente fraturada. Tive dificuldade até mesmo para falar quando relatei a situação ao controle de tráfego aéreo. Senti raiva e decepção comigo mesmo – por que não consegui executar algo tão simples?
Todos estávamos abalados, então fizemos o que parecia natural: seguimos viagem para um aeródromo militar remoto, exatamente conforme planejado. Nenhum de nós tinha capacidade mental para repensar a rota; parecia melhor agir dentro do que controlávamos. Felizmente, o profissional calmo e competente no controle de tráfego sugeriu que seria mais adequado desviar para um aeroporto civil próximo com hospital. Foi exatamente isso que fizemos; nosso colega ferido foi levado ao hospital em apenas 30 minutos. Ele se recuperou dos ferimentos e retornou para casa dentro de alguns meses.
Será que gerenciamos efetivamente o risco naquela situação? Seguimos os procedimentos padrão, respeitando as regras estabelecidas. Fizemos o briefing, mas será que esse briefing foi realmente útil e interativo? Cumprimos os protocolos destinados à nossa proteção, mas avaliamos de fato os riscos dinâmicos presentes naquela ocasião? Na verdade, apenas seguimos ao pé da letra o que era esperado. Contudo, aderir rigidamente aos processos muitas vezes nos torna vulneráveis, especialmente se não monitorarmos e avaliarmos constantemente novos e potenciais riscos. Não se trata apenas de combater a complacência; para compreender nosso ambiente de ameaças, precisamos conhecer melhor a nós mesmos. Conhecimento, competências e atitudes requerem treinamento qualificado, não apenas procedimentos operacionais.
Como o último ano nos demonstrou claramente, o mundo pode apresentar situações complexas, inéditas e de grande impacto, mas frequentemente ignoramos os riscos do dia a dia – e isso é extremamente perigoso.
Anthony, Instrutor / Consultor em Gestão de Riscos da NobleProg
Na NobleProg, contamos com instrutores e consultores que possuem experiência prática comprovada sobre a importância de dispor de ferramentas e técnicas eficazes na gestão de riscos. Ao compartilharem suas vivências, eles auxiliam você a avaliar os desafios relacionados à gestão de riscos na sua organização.
A capacidade de qualquer sistema de gestão de riscos de se adaptar é fundamental ao lidar com riscos dinâmicos e complexos.
Preciso de Ajuda?
Entre em contato para saber mais sobre nossa equipe e os tipos de soluções personalizadas que podemos oferecer à sua organização.
Entrar em Contatoinfo@nobleprog.pt ou +351 30 050 9666